Fico parado olhando a estrada
Passando pelos meus pés.
Vai-se a paisagem em sonhos dourados
Emoldurados em ferrugem e poeira.
Passam-se rosas, lírios e flores,
Pedras, sulcos e dissabores.
Freia-se a passagem do tempo
Ou o tempo freia a chegada do fim
Da estrada longa, curta e cruel.
Bifurca-se a vereda.
Meio eu, toma a esquerda,
Meio eu, segue à direita.
Meio dor, alívio que cega
O choro pendido,
Vertido tal chuva.
Culpa e horror,
Promessas não ditas,
Promessas malditas,
Promessas cumpridas,
Promessas compridas.
Alice não chega
Ao país das maravilhas,
Mas chega-se ali se
Perde o sabor e o humor.
Acertos tentados ao som do amor,
Erros julgados na esfera da dor.
Promessas neoditas,
Da morte a sorte.
Estrada rompida,
Família e consorte.
Tudo numa coisa só
Decanta-se em caldeirão
De lama, abandono e palavras.
Mas escuta o som da verdade,
E desvenda o desvelo revelado,
O enigma do tempo escondido.
Apóia-se na solidão do tudo fazer
E só a fazer, tão só a sofrer.
Noites perdidas
De sono, choro e angustia.
Noites agora vertidas
Em acusações de imprudência e culpa.
Lembra o tempo antigo,
Sorri das lembranças de rei.
Tenta lembrar das guerras,
Das mortes de guerreiros valentes,
Mas só retorna lembranças de sorte,
Sorrisos e benfazejas.
O resto é névoa,
Lembrança turva de dores
Entrelaçadas com os amores.
Meio eu, toma a esquerda,
Meio eu, segue à direita.
O eu inteiro some e fim.
Poesia de fim de estrada by
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