Letras, sentimentos e inspirações!


20/02/2008


Deusa Musa

 

Minha musa

Pela lua passeia

Em meus sonhos vagueia

Minha musa.

 

Pequeno desejo

Um teus braços

Morrer meus anseios

Enfim desejo!

 

Em tua tez

Inebriar minha vida

Recriar minha imagem

Só em teu colo.

 

Em ti

Sentir pureza e magia

Pura e doce alegria

Você em mim.

 

Doce deusa

Pela minha vida impera

Dos teus decretos mais justos

Amar-te sem fim e nada mais.

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Deusa Musa by Saulo Boyna is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Escrito por Saulo Boyna às 11h59
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Trinos dias Laborais

 

 

O silêncio se abate em mim

Nos trinos dias laborais

Onde vagarosa e saudosa

Mente em turnos de amores vai

 

Perco o chão em devaneio

A solidão da saudade

Olhando as paredes cinzas

Só e passível verdade

 

A lua nua assombra o céu

E a trina quarentena acaba.

Louco corre escarcéu

Vento voa e leva à casa.

 

Vai a lua, sobe o sol sorrindo

Vou à rua, sob o céu, vou indo.

Imagem tua, abraço meu

Coração, mente e paixão

 

Inveja tua beleza, tudo que te cerca.

Abraço tua tez e embaço teu perfume

Poucos dias, ventura de amor e paz

Vou novamente aos trinos dias laborais.

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Escrito por Saulo Boyna às 11h54
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23/11/2007


O encontro

 

- Moça, você pode me atender agora?

Perguntou o rapaz já impaciente. Esperava a mais de meia hora e ainda não havia sido atendido.

- Senhor, poderia sentar-se e esperar mais um pouco, já o atendo.

E sentou-se esperando enquanto via até quem chegava depois dele ser atendido. No fim da tarde, quando não havia mais ninguém, a atendente o chamou. Levantou-se decidido a jogar sobre ela as mais duras palavras por ter tamanha falta de respeito o deixando esperar tanto tempo e deixar tanta gente passar na sua frente.

Um ano e meio depois desse episódio estavam casados.

 

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Escrito por Saulo Boyna às 18h30
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05/11/2007


Poesia de fim de estrada

 

Fico parado olhando a estrada

Passando pelos meus pés.

Vai-se a paisagem em sonhos dourados

Emoldurados em ferrugem e poeira.

 

Passam-se rosas, lírios e flores,

Pedras, sulcos e dissabores.

Freia-se a passagem do tempo

Ou o tempo freia a chegada do fim

Da estrada longa, curta e cruel.

 

Bifurca-se a vereda.

Meio eu, toma a esquerda,

Meio eu, segue à direita.

Meio dor, alívio que cega

O choro pendido,

Vertido tal chuva.

Culpa e horror,

Promessas não ditas,

Promessas malditas,

Promessas cumpridas,

Promessas compridas.

 

Alice não chega

Ao país das maravilhas,

Mas chega-se ali se

Perde o sabor e o humor.

 

Acertos tentados ao som do amor,

Erros julgados na esfera da dor.

Promessas neoditas,

Da morte a sorte.

 

Estrada rompida,

Família e consorte.

Tudo numa coisa só

Decanta-se em caldeirão

De lama, abandono e palavras.

 

Mas escuta o som da verdade,

E desvenda o desvelo revelado,

O enigma do tempo escondido.

Apóia-se na solidão do tudo fazer

E só a fazer, tão só a sofrer.

 

Noites perdidas

De sono, choro e angustia.

Noites agora vertidas

Em acusações de imprudência e culpa.

 

Lembra o tempo antigo,

Sorri das lembranças de rei.

Tenta lembrar das guerras,

Das mortes de guerreiros valentes,

Mas só retorna lembranças de sorte,

Sorrisos e benfazejas.

 

O resto é névoa,

Lembrança turva de dores

Entrelaçadas com os amores.

 

Meio eu, toma a esquerda,

Meio eu, segue à direita.

O eu inteiro some e fim.

 

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Escrito por Saulo Boyna às 15h42
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29/10/2007


O conto de fim da vida

 

            Muitas pessoas descontentes moravam num mesmo lugar e todas reclamavam que suas vidas não tinham sentido e que aquele lugar não era mais o lugar onde queriam viver. Prontificaram-se de excursionar para fora de seus domínios em busca de uma nova morada onde pudessem se realizar e serem felizes até a consumação de seus dias.            Iniciaram sua jornada e no primeiro dia uma parte do grupo separou-se numa bifurcação por achar que o caminho era por ali. Encontraram uma caverna, na verdade uma mina. Nesta mina estavam incrustadas na parede, muitos diamantes, e veios de ouro e prata cintilavam por todos os lados. Aclamavam terem achado seu paraíso. No fim do dia começaram a escavar e todo o teto caiu sobre eles.

            Dos que continuaram, alguns acharam por bem ir parando no caminho e construíram ali mesmo suas casas. Haviam abandonado sua terra e também um grande amor. Cassaram, então, com outras, tiveram filhos e netos e morreram velhos e amargurados pela paixão antiga que deixaram pra trás.

            Dos que continuaram, apenas um, foi até o fim. Os outros se enveredaram por caminhos tortuosos e acabaram mortos por animais ferozes, ou afogados tentando atravessar o rio ou mesmo de fome e sede.

            O único que continuou na vereda até o fim, deparou-se com um lindo campo, fresco e verdejante, cheio de belos animais e um lugar perfeito para se viver. Nunca vira tanta beleza assim, mas quando olhou para o lado e viu-se só, sem ter a quem compartilhar sua alegria, se amargurou e definhou até morrer de solidão.

 

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Escrito por Saulo Boyna às 17h10
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24/10/2007


Deusa

 

Desce de seu trono

Vestida em veludo e cetim

Mas desnuda e carnuda

Lânguida e vil.

 

De seu consorte,

O qual quis a má-sorte

Privilegiar com tal paixão

Que não era sua

E nunca assim foi,

Conhecimento não toma.

 

Passeia terrível.

De seus olhos de fogo

Sombreia felina sedução.

A nudez de suas vestes

Comete pecado e perdição

Onde o súdito vagueia os olhos.

 

Escrespados cachos

Ou alisadas madeixas

Deixa-se entrever e leve tocar,

Mas não se pode dizer

Se é a tez que enternece

Ou a voz que inebria.

 

Olha-a, pobre mortal,

Deusa silente e fugaz,

Dos seus desejos,

Paixão contínua

Envelhecida e eternecida,

Toma-a para sempre em sonhos.

 

Do seu corpo

Lembra-se veemente e sorri.

Lembrança turva e real,

Toque das mãos,

Dadas mãos e abraços,

Sorrisos e quase beijos,

Companhia de sempre fim.

 

Expectante vive de embrenhar-se

Nos segredos do nirvana

Que resguardam sua deusa.

 

Porquanto apenas deseja

Mortal e sacrilegamente

Beijos, abraços e amores.

 

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Escrito por Saulo Boyna às 14h52
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05/10/2007


Naufrago

Enquanto vagava

As águas encrespavam

E sua tênue lucidez

Findava.

Por-se-ia o sol

E não veria terra?

Tragado seria às profundezas

E não teria chão?

O mote de infelicidades

Eternas e duradouras

Acorrentava-lhe a alma

E o puxava no vagar.

Piscianos e sereianos

Perguntavam-lhe – Quem és?

Naufrago da própria vida,

Se sobreviver, saberei quem sou.

Dia após dia,

Noite após noite

Sobrepujava o fio de vida

Numa insistência de morte.

Sumiu entre os seus

E hoje só há lembranças

Vagando por onde? Não sei.

Vagando em vida, vagando...

 

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Escrito por Saulo Boyna às 08h51
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18/09/2007


Patrício Sentir

 

eu sou apenas uma pequena parte
da paixão muda que me consome.
sou apenas um terço
dessa incontinência escondida.
carencia de beijos que nunca senti
ardencia por carícias que nunca participei
urgencia por toques que nunca vivi.

fecho os olhos
e o mar de pensamentos me invade
neles vejo ...
sempre bela
mas tão distante
que nem sei o quanto.
ou mesmo tanto
e eu não vou a tí.
a desesperar me distancio
e então turva-se a mente
e acordo lacrimejando.

desejo com a mais profunda paixão
queria com o mais singelo querer
para amar como único e fim.

 

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Escrito por Saulo Boyna às 17h00
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23/08/2007


Ditadura



Tornara-se escritor desde cedo. Gostava de brincar na máquina de escrever e sua mãe o incentivava. Logo nos primeiros anos do colegial tornou-se membro do folhetim da escola e todos elogiavam suas reportagens, suas crônicas e seus poemas furtivamente escritos. Formou-se engenheiro pela vontade do pai, mas tão logo assim o fez rumou para as rotativas onde era seu lugar. O trabalho incessante e a pesquisa constante o fizeram ser o melhor. Apaixonado que era pela justiça e pela verdade, cobria assim, com esses sentimentos, os artigos e as colunas do jornal da cidade. Foi com dissabor que viu a ditadura se instaurar, mas não calou. Escreveu com mais paixão ainda e inflamava os leitores com suas palavras. Foi com pesar que viu todos os seus amigos se indo, presos, exilados, ou mesmo afastados dele por vontade própria, ou por segurança como justificava. Mas não desistia, no breu da madrugada, sozinho, escrevia, corrigia e imprimia os folhetos de coragem para tão logo despontasse o sol, serem distribuídos aos trabalhadores que cedo labutavam. Só calou quando compreendeu que era uma voz solitária e que todos que a ele escutavam o acusavam de agitador e louco. E diante de toda pressão, morte à sua mãe, morte à seus irmãos, morte à sua pequena amada, calou-se para não trair sua idolatrada verdade.



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Escrito por Saulo Boyna às 14h51
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Exílio

 



Pouca pena afeta


E a alma ama indolor


No sagaz vento, o fedor


E a vergonha submissa.



Loquaz perfila mentiras


Inacreditáveis e pretensas


Engana-se mirando o porvir


Numa ilusória esperança libertária.



Senta-se à beira d’água e chora


Amargas vertentes de lágrimas


Salgam a água lacustre



E o vislumbre do único sonho


Toca-lhe a face, beija-o e vai


Deixando-o só, vendo a esperança que se desfaz.


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Escrito por Saulo Boyna às 14h47
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Quadro Pretérito

 



Eu verso os versos inversos


Da qual finita arte me tempera


Fugindo da minha fugaz vida-tapera


Alma suja de fraquezas, covardias e dores.



Nego meu desejo.


Nego minha vida.


Nego meus sonhos.


Nego minha dor.



Incontido, o choro se derrama em minha alma.


Meus olhos secos o desmentem.


Meu sorriso falso o esconde.


Minhas palavras fúteis o mascaram.



Sordidamente emburaco-me no escuro


Soterrado pelo desespero


E pelo medo do futuro


Entrego-me ao desmazelo da ilusão.



Vou perdendo minha vida


Esquecendo minha alma


Matando meus desejos


Abandonando meu próprio ser.



Vou perdendo o meu mundo


Destroçando todos os futuros


Olhando um quadro pretérito


Esqueço de mim, fico mudo.


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Escrito por Saulo Boyna às 14h42
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19/07/2007


Partícula Mutiversal

 

 

 

Partícula!

Metade de mim!

Eu mesmo!

Isento sem fim!

 

Onde estará minha viagem?

Onde estará minha embriagues?

Onde deixei minha lombra?

Onde esqueci a loucura?

 

Universo!

Preciso e claro multiverso!

Ofuscante som de dor!

Tudo num mesmo chão!

 

Onde perdi a coragem?

Onde deixei a solidão?

Onde guardei a fé?

Em que lugar ficou a aventura?

 

Susto!

Nada que me valha viver!

Novo horizonte passado!

Coisa alguma quero mais crer!

 

Onde está a vontade?

Onde está a paixão?

Onde está o sonho?

Onde está a vida?

 

Em mim!

Viagem solitária, devo fazer!

Alcançar a lombra!

Embriagar-me nas sombras!

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Escrito por Saulo Boyna às 09h05
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06/07/2007


A donzela e o lobisomem

 

 

 

            Não era ainda Meia noite, quando saído das sombras, aquele ser repugnante tangeu os cães da rua e farejava a donzela indefesa voltando para casa desprevenida.

            O vento açoita os pinhais na praça e o ipê de flores amarelas contrasta brevemente com o brilho da lua cheia e encoberta por nuvens espessas.

            No centro da praça segue a moça, já percebendo o seu perseguidor, corria mas o salto não permitia movimentos mais rápidos. Sente no seu calcanhar o rosnar da criatura, e o súbito pulo lupino é surpreendido pela agilidade viril da moça, que num último momento se abaixara e enquanto o licantropo volta-se para um novo ataque ouve-se o estampido e o zunido da cortante bala prateada indo se alojar no coração da criatura extinguindo assim sua existência funesta e odiada.

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Escrito por Saulo Boyna às 16h41
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Sétima Profecia

 

 

 

Vou trancar minha alma

Com sete cadeados

Dentro da prisão eterna

De guardiões ladeados.

 

Arrancarei meu coração

E em sete baús o jogarei

As sete chaves girarei

Abandonando-o na solidão.

 

Fumarei ópio

Beberei álcool

Puxarei mariruana

E dessa viagem não retornarei.

 

Deixarei meus sentimentos

Morrerem sobre o cimento

Quente do ódio e da dor

Enquanto estiver no torpor

 

E quando retornar

Morto-vivo então serei

Longe de toda ilusão

Água que não mais beberei.

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Escrito por Saulo Boyna às 16h38
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04/07/2007


Sertão e só

 

 

Gritos roucos e ocos

Ecos poucos e loucos

Vícios escuros e tortos

A mente de um homem morto.

 

Penúria nesse chão!

Grito e lamento!

Pó!

Só!

Nem um socó pra comer!

 

Água da latrina.

Café solúvel vencido.

Arroz, feijão e gorgulho.

Sertão não tem orgulho.

 

Seca o milho.

Mandacaru morre.

Manga, caju e porre.

Cachaça não falta não.

 

Coronel vem e socorre.

Casa de taipa e chão.

Por dez quilos de farinha.

Vitória na próxima eleição.

 

Brande o pistoleiro

O cangaço não morreu

Muge o bezerreiro

Faltou água, não choveu.

 

Pele, osso e pó.

Urubu sobrevoando.

Padim Ciço não me abandone

Mas fé somente, não mata fome.

 

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Escrito por Saulo Boyna às 17h08
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BRASIL, Nordeste, JUAZEIRO DO NORTE, FRANCISCANOS, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, French, Arte e cultura, Esportes
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